Que os professores dessa disciplina não me levem a mal. Mas uma disciplina marcada para sexta-feira à tarde é uma espécie de tortura com os estudantes e, porque não, com o próprio professor dando a aula.

Se você não me conhece, deixa eu explicar uma coisa importante: sou uma pessoa cdf. Sempre fui. Eu gosto de estudar e gosto muito de assistir aulas. Tomar notas, aprender coisas, fazer anotações, descobrir novos conceitos, copiar a lousa, ouvir os professores contando sobre coisas que não sabia, escrever no caderno… Já falei sobre anotar coisas? Pois é. Por mais que sempre tenha gostado de assistir às aulas (claro, umas mais que outras), eu sempre tive essa técnica para me manter acordada. Não que precisasse fazer muito esforço para isso. Me manter anotando coisas sempre foi estratégia ótima para aprendizado e para manter o sono longe. Mas hoje não me parece mais suficiente. Não tanto quanto antes.

Então estou aqui tentando entender: porque algumas aulas são tão boas de dormir? deveríamos proibir todas as aulas de sexta-feira depois do almoço?

E para responder isso vou ter que me debruçar em alguns pontos que eu não sou especialista. Então já aviso aqui: essa é só uma peça, ainda que bem fundamentada, motivada pela minha vontade de mudar o horário dessa disciplina.


Aparentemente os motivos que nos levam a dormir numa aula são bem variados.

Acho que pode ser até fácil imaginar que, se não dormimos bem, todas as atividades diárias ficam mais sonolentas mesmo. Então a tal da qualidade do sono é essencial para garantir uma aula bem assistida no dia seguinte. E independe se a aula é de manhã, à tarde ou à noite. Uma pessoa mal descansada não vai aproveitar direito o período de aula e, se tiver a oportunidade e o ambiente propício, os olhinhos vão fechar sim.

E esse ambiente propício, como tudo na vida, pode depender de vários, vários fatores: comidas, móveis, janelas, lâmpadas e pessoas. E inclusive, vale aqui o aviso, se bem alinhados esses fatores, nem uma boa noite de sono pode te salvar de dar aquela pescada na sala de aula!

Vamos começar pela comida. Que é a minha primeira reclamação sobre as aulas de sexta-feira: aulas depois do almoço. Não tem como ser possível assistir acordada uma aula que acontece logo depois de eu encher minha barriguinha. Minha avó dizia que depois do almoço o sono vem porque o sangue vai pro estômago pra fazer a digestão e “sai” do cérebro. E realmente levantaram essa hipótese para explicar o soninho pós almoço. Acontece que por mais que o sangue esteja carregado de nutrientes saindo do intestino delgado depois de comermos, não rola grandes alterações no fluxo sanguíneo não. Existe a possibilidade do sangue carregado de glicose ser um dos desencadeadores desse sono todo. Mas a verdade, verdadeira, é que não existe uma explicação definitiva pro fenômeno. O que temos, e que qualquer experiência anedótica dá conta de confirmar, é uma pesquisa brasileira que confirma que uma alimentação mais gordurosa e com mais carboidratos simples dá mais sono mesmo que uma comidinha mais leve, com mais vegetais e carboidratos complexos. A Unesp tem culpa do que eu almoço antes da aula? Não. Então passemos pro próximo item.

Os móveis. Especialmente pelas cadeiras. Cadeiras mais confortáveis são mesmo mais sedutoras. O corpo relaxa. A gente sente aquele gostinho de “hmmm vou dar uma escorregadinha aqui”. Lá se vai a boa postura. A bunda vai parar na pontinha do assento. A coluna fica completamente torta. Quem já teve o prazer de assistir uma aula numa cadeira BOA, sabe do que eu to falando. Na verdade não precisa nem ser boa assim, em maiúsculas, não. Pode só ser aquele assento acolchoado dum auditório. Cadeiras mais confortáveis podem servir como um sinal de que a coisa agora é mais leve. Mas nem precisa dum lugar fofinho pra por o bumbum pra justificar nossa má postura. Na verdade, até existe uma possível relação com esse soninho durante a aula, uma noite mal dormida e uma postura toda torta. Os móveis da sala são então, um fator muito importante não só pro conforto mas também pro foco dos alunos que estão ali tendo que ver aula ao longo de toda tarde de sexta feira. Infelizmente pra mim acho que as cadeiras do laboratório são ok. Não são desagradáveis nem boas prum soninho. A Unesp tá livre dessa.

Passemos para as janelas então. Na verdade, o tópico é ventilação. Isso porque ambientes mal ventilados tendem a ter maiores concentrações de CO2. E maiores concentrações de CO2 podem causar alguns sintomas desagradáveis como, por exemplo, fadiga, soninho e lerdeza mental. Digo “podem” porque nem todos os estudos apontam para uma correlação bem clara entre alta concentração de CO2 e diminuição de capacidade cognitiva, por exemplo. Embora exista sim, alguns indícios que ambientes mais ventilados são mais produtivos e até melhores pra dormir! Aqui eu tenho que pôr a Unesp na roda e apontar pras janelas fechadas (porque provavelmente tá sempre precisando dum ar condicionado ligado pq sorocaba é quente feito o inferno).

Lâmpadas também podem ser um dos fatores indutores de uma sonequinha ao som de professores. Lâmpadas desligadas, para que os slides projetados lá na frente fiquem mais visíveis, podem dar um sinal pra gente que “opa, olha aí, já estamos diminuindo os estímulos!!!!”.

E eu vou juntar esse fator aqui com o seguinte porque acho que o gancho é inevitável: pessoas. Nesse caso aqui a pessoa é o professor. E além da pessoa tem o assunto. Trata-se então da combinação: pessoa, assunto e slides.

Juntar esses três pontos me parece chave porque o soninho na aula está sempre muito ligado ao envolvimento do aluno. Ao interesse no conteúdo. Ao carisma do professor. E a qualidade da utilização das ferramentas. E é muito, muito complexo alinhar todos esses fatores de forma a manter entretida uma turma de vários adolescentes, jovens ou adultos, geralmente cansados, sentados em cadeiras desconfortáveis, numa sala mal ventilada, geralmente mal iluminada também e que são, claro, pessoas tão diferentes. Mas apesar de difícil, é possível. Olho aqui pra todos os meus muitos anos em sala de aula e pouquíssimas foram as vezes que eu dormi em aula e eu poderia dizer que, infelizmente, a culpa era do desinteresse profundo no que tava rolando.

Da maioria das vezes que dormi em sala de aula e, pensando até com mais cuidado, da minha inabilidade de assistir essa aula sexta-feira à tarde, um último fator se faz necessário explorar: aquele da saúde mental. Não faz muito tempo um vídeo de um professor americano viralizou na rede de minivídeos porque ele comentou que deixa seus alunos dormirem em suas aulas. Isso gerou algumas discussões. A verdade é que a gente não sabe muito quais as tretas dos outros né? E eu não vou ir longe demais não. Não vou nem tirar a cabeça do meu umbigo: sexta-feira a tarde é quando eu vejo o fim da semana chegando e sinto todo o cansaço que não me permiti sentir direito em nenhum dos outros dias. A unesp, infelizmente pra mim, não tem nada a ver com isso.

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