atendendo a pedidos de absolutamente ninguém eu queria falar umas coisinhas aqui sobre o prodes
Saíram as estimativas de destamtamento do PRODES ontem e estamos todos em polvo-rosa, com razão. São 13.235 km², o mesmo que ~1,3 mi hectares .É muito. É uma área um pouco menor que dez cidades de São Paulo e um pouco maior que dez cidades do Rio de Janeiro. Em um ano, de agosto do ano passado até fim de julho desse ano. é o quarto ano de aumento em relação ao ano anterior.
Em 2015, no início da tendência recente de aumento, registramos 6,2 mil km², menos que metade do registrado hoje. Estamos indo mal, muito mal.
Mas eu vim falar de como essas estimativas são feitas. Acho que dá pra imaginar que não dá pra colocar um monte de fiscalzinho na floresta pra registrarem os casos né. A solução é tirar foto. E tirar foto de longe, longe o suficiente pra ver bastante floresta, mas perto o suficiente pra ver o desmatamento em pequenas áreas. a solução: pegar imagens de alguns satélites que tão aí já fazendo o serviço mesmo.
Os satélites escolhidos pra fazer esse serviço são, preferencialmente, os da série Landsat, da NASA, porque eles tem uma reslução massa de 30 m e 15-20 dias entre imagens dum mesmo pedaço, sucesso.
Sabe o que é mais sucesso ainda? as imagens que são utilizadas pra estimativa de desmatamento podem ser consultadas no Centro de Dados de Sensoriamento Remoto (CDSR) http://www.dgi.inpe.br/catalogo/
Aí o que fazer? Bem, essa é a parte mais “fácil” e mais difícil ao mesmo tempo. O processo aqui é bem simples no sentido de não ter mágica: bota um monte de profissional bem treinado pra avaliar as imagens e delimitar os polígonos de área desmatada.
E daí aqui cabe uma observação importante: PRODES PEGA CORTE RASO.
O próprio INPE deixa claro que o que é mais fácil de pegar é corte raso. Corte raso é quando ce tem floresta num dia, e puf! não tem mais. Ok que não é dum dia pro outro, mas é um processo de curto intervalo de tempo.
Existe também o desmatamento por degradação florestal, que é um processo progressivo, muito mais lento. Você começa tirando madeira nobre, vai avançando no desmatamento aos pouquinhos… planta o capim ao mesmo tempo que tá desmatando e daí vai pondo fogo no capim pra ir avançando seu pastão.
Nesse processo vc tem desmatamento acontecendo mas cobertura de árvores ainda ali, progressivamente diminuindo mas ainda fazendo volume, preenchendo foto, parecendo mata ok. Esse tipo de coisa é muito mais difícil de pegar por imagem de sensoriamento remoto.
Veja bem a análise não é uma pessoa só olhando pra foto no visível dizendo HMMM ACHO QUE TÁ DESMATADO AQUI E AQUI E AQUI. A análise envolve dar uma avaliada decente nas cores e na textura da área, para determinação do polígono de desmatamento. Então fazer isso quando ainda tem cobertura de floresta mesmo que ela já esteja ali sendo silenciosamente desmatada é muito muito mais difícil. Só vai rolar de perceber que tão tacando pasto na floresta quando 50% dessa cobertura tiver perdida.
Pois bem, o PRODES, Programa de Monitoramento de Floresta Amazônica Brasileira por Satélite funciona assim.
Aliás, importante dizer uma coisinha básica: lugar sem floresta originalmente e hidrografia ficam numa máscara dizendo “nem olha aqui que nem é desmatamento não”, a “não floresta”. Áreas já previamente identificadas como desmatamento também são inseridas numa máscara de desmatamento, pra evitar recontagem. Então sempre que tem número de prodes pode ter certeza que tão vendo desmatamento novinho em folha.
aqui tem um documento bonitinho do inpe que vocês podem ler pra saber mais da metodologia do PRODES e do DETER.