Quando o Matheus me chamou pro Dragões de Garagem eu não acreditei muito não. O Dragões tem ma importância gigantesca pra quem gosta de ciência e escuta podcast. É um daqueles podcasts que faz a lavada de louça parecer inteligente. Imagina, lavar louça aprendendo coisas?

Acho que até por isso eu nunca consegui ouvir o Dragões de Garagem durante as tarefas domésticas. O DdG me fez começar a ouvir podcast com um bloquinho do lado. Aprendendo conteúdo e aprendendo, também, como fazer podcast.

E aprender é a palavra chave da minha experiência com essa equipe. Eu tenho certeza absoluta que eu vou contar várias coisas que eu aprendi e ainda vai faltar.

O Dragões de Garagem é, na minha humilde opinião, mais que um projeto de divulgação científica em podcast. É um coletivo, um grupo de pessoas incríveis dispostas a dividir o que sabem com todo mundo. E isso inclui o próprio grupo. Não tem um dia que, no meio de conversas aleatórioas, eu não aprenda alguma coisinha. Também não tem um dia que eu não olhe em volta e pense “olha só pra esses dragões!!!” com um misto de espanto e admiração.

A admiração é fácil de entender. Todo mundo ali é um sucesso. A sua maneira, claro, porque a gente não pode achar que sucesso so o é quando academia diz. Embora, sim, tem gente ali que a academia também reconheceu que é um sucesso, claro. Mas a abrangência de perfis, conhecimentos, posturas e didáticas dos dragões é riquíssima.

Ainda que a gente não tenha conseguido ter o perfil tão diverso quanto queríamos eu posso garantir que no quesito inteligência… falhamos. Só tem gente muito inteligente. Mas meu tipo de inteligência favorito. Gente que ama aprender e que não quer fazer isso só. Gente que quer que todo mundo possa saber também das coisas maravilhosas que podem ser aprendidas.

Poderia passar vários parágrafos falando aqui de todos os dragõeszinhos que ocupam e ocuparam esse espaço nesses últimos dez anos. Não vou fazer com medo de parecer ter preferências (ou seja, não é justo que eu fale por cinco parágrafos da voz do Rogério enquanto de todos os outros só fale por um). Mas a verdade é que todos são únicos e maravilhsos e admiráveis.

E é por isso meu espanto. Veja bem. Eu não vou ser modesta. Eu tenho uma reputação de não ter síndrome do impostor para zelar. E eu não tenho síndrome da impostora justamente por abraçar o papel da impostora que sou.

Se você não sabe o que é a tal da Síndrome do Impostor eu explico rapidinho: é aquela sensação de que você está no lugar errado, que vão perceber, a qualquer momento, que você é uma farsa. Que não sabe o que está fazendo. Que não deveria estar ali. Pretendo falar só sobre isso eventualmente (sem ser profissional da saude, é claro). Mas fica aí a explicação pobre que um parágrafo permite fazer.

Voltemos ao meu espanto. Não é difícil imaginar que eu me sinta espantada por ter conseguido enganar tanta gente esperta e inteligente que eu posso estar entre elas. É um espanto genuino. Porque nunca, nunquinha, em todos esses anos, fui tratada como a pequena aprendiz que sou. Nem como a grande ilusionista que acredito ser. Sempre fui tratada de igual pra igual. Como alguém que tá aprendendo mas que também sabe coisas. Como alguém que tem com o que contribuir.

Me receberam de braços abertos e me deixaram crescer como podcaster, como divulgadora e como pessoa. É um genuino espanto por ter tido tanta sorte de conhecer todas essas pessoas, ter podido criar com elas e estar pensando sobre ciência e comunicação num contexto tão rico.

Hoje eu só tenho a agradecer. Agradeço por me darem a oportunidade de aprender a fazer podcast. Aprendi a fazer pesquisa pra divulgação científica, aprendi a fazer pauta, aprendi a falar num microfone, a levar episódio a produzir roteiro. Agradeço por terem produzido tanto conteúdo nesses dez anos. Em mais de 200 episódios o Dragoes de Garagem permitiu que muita gente pudesse aprender muita coisa. E de uma forma gostosa demais. Isso é imenso. E eu agradeço por toda essa produção, por todo mundo que faz esse podcast funcionar, seja botando a voz no público, seja nos bastidores. Muito obrigada.

Quero agradecer também, de coração, aos que fazem esse projeto ter sentido: nossos mecenas e nossos ouvintes. O Dragões de Garagem não seria o que é sem vocês. Muito, muito, muito obrigada. Vocês são todos incríveis.

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